Luanda - Ao andar por esta bela pátria, lembrei-me da falta de celeridade nos processos coletivos e administrativos das organizações, tudo por conta da ordem superior que foi institucionalizada por homens fortes com poder tremendo de fazer o chefe acreditar que é assistente dos Deuses.
Fonte: Club-k.net
Lembrei da história de revolução deste país que se consolidou como base da corrupção, onde quero olhar para este fenômeno como um tipo de Cavalo de Tróia, mas este Cavalo de Tróia não é externo, é um Cavalo de Tróia que é construído por membros ativos e participativos da organização.
O segundo Cavalo de Tróia nas organizações é a corrupção, geralmente definida como o abuso de poder confiado para obtenção de benefícios pessoais, podendo manifestar-se de diferentes formas: desde o suborno e o desvio de fundos públicos até o tráfico de influência e o favorecimento ilícito em contratos e nomeações.
A Transparência Internacional e organismos como o Banco Mundial apontam que a corrupção mina a confiança nas instituições, desestimula o investimento e acentua desigualdades sociais ao desviar recursos destinados a serviços públicos essenciais.
No caso de Angola, o Banco Mundial (2018, 2020) identifica a corrupção como um dos maiores entraves ao desenvolvimento sustentável e à construção de instituições eficazes.
A corrupção sempre foi criada como base de sustentabilidade e confiança, a corrupção passou a ser o meio de comunicação institucional para ganhos de oportunidade ou realização de sonhos, a corrupção se construiu como uma identidade política das nossas organizações, sequestrando e adiando o desenvolvimento.
Este Cavalo de Tróia se apresenta de várias formas, que muitas vezes ganha o título de bajulação, definida como a prática de agradar ou elogiar excessivamente alguém em busca de favores ou benefícios, é um tema frequentemente negligenciado na literatura sobre corrupção (enfraquecimento institucional).
Querubín (2016) argumenta que a bajulação pode ser usada como uma ferramenta para manipulação política e manutenção de privilégios no setor público e privado.
Este Cavalo de Tróia transformou a incompetência em líder, incapacidade em oportunidade, matando a crítica institucional por medo de represaria por excesso de bajulação institucional, pela sua capacidade de persuadir o pensamento do líder, fragilizando a racionalização institucional.
A bajulação reduz a produtividade institucional, a bajulação retarda o desenvolvimento das organizações e estimula a criação de relatórios falsos sem bases profundas de mudança da organização para garantir o seu crescimento apenas para agradar o chefe.
Enquanto isso, vai se criando o costume do crescimento por base familiar e não por competência.
Quero vos apresentar o Cavalo de Tróia, o nepotismo, por sua vez, refere-se à prática de favorecer parentes ou pessoas próximas na atribuição de cargos ou funções públicas, independentemente do mérito ou da competência.
Tal prática enfraquece o princípio da meritocracia e compromete a profissionalização da administração pública/privada, criando um ambiente onde as decisões são guiadas por lealdades pessoais e não por critérios técnicos (Faria, 2015).
O favoritismo, conceito próximo, amplia essa lógica para além do círculo familiar, incluindo amigos, aliados políticos ou membros de determinados grupos sociais privilegiados.
Este Cavalo de Tróia está minando a responsabilidade pública das organizações, premiando a irresponsabilidade organizacional.
Aqui estão algumas soluções para os problemas mencionados no texto:
1. Transparência e Prestação de Contas: Implementar mecanismos de transparência e prestação de contas nas organizações, incluindo a divulgação de informações financeiras e decisões importantes.
2. Meritocracia: Implementar um sistema de meritocracia, onde as decisões sejam baseadas em critérios técnicos e não em lealdades pessoais ou familiares.
3. Treinamento e Desenvolvimento: Oferecer treinamento e desenvolvimento para os funcionários, para que eles possam adquirir as habilidades necessárias para realizar seu trabalho de forma eficaz.
4. Cultura Organizacional: Fomentar uma cultura organizacional que valorize a ética, a
transparência e a responsabilidade.
5. Mecanismos de Denúncia: Estabelecer mecanismos de denúncia para casos de corrupção e nepotismo, e garantir que as denúncias sejam investigadas e tratadas de forma justa e imparcial.
6. Participação Cidadã: Incentivar a participação cidadã nas decisões das organizações, para que as pessoas possam ter uma voz ativa na gestão dos recursos públicos.
7. Reforma Institucional: Realizar reformas institucionais para fortalecer a governança e a gestão das organizações, e para prevenir a corrupção e o nepotismo.
Algumas ações específicas que podem ser tomadas incluem:
- Criar um código de ética para as organizações
- Estabelecer um comitê de ética para supervisionar a conduta dos funcionários
- Implementar um sistema de gestão de riscos para identificar e mitigar riscos de corrupção
- Ofrecer treinamento em ética e integridade para os funcionários
- Estabelecer parcerias com organizações da sociedade civil para promover a transparência e a prestação de contas.
DE : MANUEL KALIMBUE VITUZI











