Luanda - Depois de todas as bordoadas que temos ouvido sobre o actual momento político na sequência da introdução das manifestações anti-governamentais no nosso panorama, foi de algum modo reconfortante ouvir JES no Estado da Nação dirigir-se aos jovens de forma diferente.


Fonte: Morrodamaianga.blogspot.com


Efectivamente JES, dirigindo-se particularmente aos jovens, adoptou uma postura aparentemente construtiva que convém aqui destacar, porque marca uma certa diferença com o anterior discurso dos sectores mais musculados da sua própria família política.


Só não conferimos uma maior importância a esta diferença, porque não há para já qualquer possibilidade de valorizarmos as suas palavras com o critério fundamental da verdade nestes casos, que é a prática do discurso político em Angola.


Seja como for e tendo até em conta o facto de JES ser o principal alvo dos “mimos” dos manifestantes de rua (32 é muito!) e de uma forma geral de toda a contestação que anda por aí, é de destacar o seu “fair-play” político neste relacionamento.


É consabido que o Presidente angolano tem algumas (bastantes) dificuldades em lidar com as críticas à sua pessoa e ao seu consulado, sendo por isso de valorizar positivamente esta abordagem que terá surpreendido alguns dos mais conhecidos e aguerridos cabos eleitorais do seu partido.


De facto estava-se a espera de uma nova bordoada que felizmente não aconteceu e que acabou por “salvar” este Estado da Nação, tendo sido, quanto a nós, a parte dedicada à juventude o momento mais alto e positivo do discurso de JES.


O tom “paternal” com que começou a abordagem, ao referir que “a nossa juventude nunca agiu à margem do povo, é do povo e trabalhou sempre para o povo”, deu lugar, seguidamente, a um tom mais “professoral” ao apontar que “há hoje algumas incompreensões e mesmo equívocos que é preciso esclarecer”.


Depois e em nome do país real, da igualdade e do respeito que todos merecem, JES afinou a mira e disparou certeiro: “Penso que isso ainda acontece porque o diálogo não é suficiente. O sector competente do Executivo deve aprimorar as vias do diálogo social e ouvir, auscultar e discutir mais para que os assuntos sejam tratados em momentos e lugares certos e sejam encontradas e aplicadas soluções consensuais”.


Ficamos a saber que o Executivo tinha um programa sobre “a resolução dos assuntos da Juventude, cuja implementação foi suspensa”, numa “revelação” que só pode ser auto-crítica, mas que poderá ter consequências políticas ao nível do citado pelouro, onde o eleitoralismo, o despesismo e a falta de transparência são algumas das notas mais salientes que integram a pauta da sua gestão.


Esperanças agora depositadas no relançamento recomendado do dito programa que para JES “deverá ser retraçado pelo Governo e a sua execução poderá ser avaliada periodicamente pelo Ministério da Juventude e Desportos com os representantes do Conselho Nacional da Juventude, como já era feito antes”.


CNJ é que continua muito partidarizado, parecendo ser mais um apêndice da JMPLA do que outra coisa…


“O país precisa da contribuição de todos”- apontou JES.


Mas mais do que isso como também indicou JES, o país precisa de entendimento para resolver os problemas do povo angolano na reconciliação.


Entendimento que, acrescentamos nós, não pode ser imposto com marchas forçadas, mas tem que resultar do diálogo que JES reconheceu ter deixado de existir.



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