Às competentes autoridades:
Governador do BNA
Departamento de Supervisão Bancária do BNA
Membros da Assembleia Nacional
Presidência da República
Ministro de Estado, Dr. Carlos Feijó
Ministro do Trabalho
Ministro das Finanças
Secretária de Estado das Finanças
ANIP
Serviços de Migração e Fronteiras
Ministério do Trabalho
Policia Económica
AAA
SONANGOL Holding
Direcção do MPLA
Comunicação Social em geral (nacional e estrangeira)
 

Assunto:           Manifesto de revolta dos trabalhadores nacionais do Standard Bank Angola.
 
Excelentíssimos Senhores (as),


Esta missiva é originária de um grupo não identificado de trabalhadores do Standard Bank em Angola, e acreditamos expressar o sentimento da generalidade dos trabalhadores angolanos desta instituição.


Não podemos obviamente ser identificados sob pena de pôr em risco os nossos postos de trabalho.


O objectivo desta é o de denunciar publicamente práticas sócio-laborais discriminatórias em relação à mão de obra nacional, desde logo desprotegida face à aparente impunidade de uma direcção que não respeita as regra de conduta ética do Grupo a que pertence, nem muito menos a Lei Angolana.

 

Fez há dias um ano que o Standard Bank iniciou formalmente a sua actividade em Angola. E para brindar tal aniversário, despedem 4 funcionárias de copa sem justa causa, e algumas delas com 4 anos de “casa” e com uma postura sempre exemplar. O argumento foi o de que tais postos foram extintos porque terciarizaram esta função.

 

Porém, a realidade é que o CEO do Standard Bank, sr. pedro pinto coelho, cidadão de nacionalidade portuguesa, há cerca de dois meses atrás decidiu que uma das tais funcionárias deveria trocar a sua função na instituição, pela de empregada doméstica na sua imperial residência no Condomínio Atlântico. Uma a uma recusaram tal transferência, porque viram na sua condição de funcionárias bancárias (mesmo em posições indiferenciadas) uma oportunidade de sonhar uma carreira decente e com segurança e futuro para as suas famílias.


O sonho ficou adiado: primeiro, logo a seguir a recusa, e como exemplo, foram demitidas duas colaboradoras terciarizadas que tinham sido contratadas um mês antes. Como represália às recusas de transferência, volvidos alguns meses e com poucos dias de pré-aviso, foi comunicado o despedimento unilateral das 4 funcionárias da copa sem justa causa, e com a proposta de um acordo em que as funcionárias recebessem de 4 a 6 meses de salário para “se orientarem” e calar o seu sonho de uma vida melhor.


Este é apenas mais um episódio de uma postura recorrente do Standard Bank, sobretudo desde a entrada deste sr. pedro pinto coelho.

 

Todos conhecemos pela comunicação social, dos desmandos e atropelos à Lei que o Standard Bank tem vindo a fazer em relação aos seus funcionários em todos os países onde tem presença. Os tribunais da África do Sul estão “entupidos” com processos de trabalho que ex-funcionários reclamam por práticas laborais ilegais. Há menos de um ano, e num espaço de 1 mês, despediram quase 2.000 funcionários na África do Sul, Londres e um pouco por todo o mundo, a pretexto da reestruturação do grupo. Mas ao que tudo indica esta reestruturação afectou toda a organização à excepção dos membros da administração do Grupo. Reclamam pelo título do maior banco em África, mas ao mesmo tempo, cometem os maiores atropelos à Lei.

Ver os links abaixo:
http://www.timeslive.co.za/business/article701309.ece/Solidarity-gives-Standard-retrenchment-plan
http://mg.co.za/article/2010-10-22-union-may-approach-court-over-banks-retrenchments
http://www.sowetanlive.co.za/news/business/2010/10/22/big-job-losses-at-standard-bank
 


Em Angola, serviram-se dos préstimos de um Administrador Não Executivo do Standard Bank Africa do Sul – Cyril Ramaphosa – um histórico da luta anti-apartheid e companheiro de luta de Nelson Mandela, para impressionar os angolanos e dar garantias ao Chefe de Estado Angolano de que (a) o banco teria investidores nacionais – o que ainda não aconteceu; e (b) o banco de direito angolano seria assente numa mão-de-obra nacional – o que não acontece. Pelo contrário, não há nenhum angolano em funções estratégicas do banco. Nem um!
Todos expatriados, ou angolanos recentemente nacionalizados. A começar logo pelo CEO, o sr. pinto coelho. Um ex-quadro de topo do BANIF, instituição esta que esteve até há umas semanas atrás envolvida num enorme fraude contra o Estado Angolano no valor de USD 150 milhões que foi pago para uma aquisição parcial do BANIF, e que foi frustrada pelas “artimanhas” dos negociadores do Administradores destes, e seus advogados.

 

Sem opções profissionais devido à crise europeia, o sr. pinto coelho “vende” os seus préstimos ao Standard Bank, após uma passagem que não deixou saudades no BANIF Brasil. Como se não bastasse, trás também na bagagem a super-secretária pessoal do Brasil – outra expatriada com créditos firmados em Angola, diz. Ora nunca se compreendeu a contratação do sr. pinto coelho. Porquê? (1) o sr. pinto coelho nunca teve experiência de trabalho nem em África nem muito menos em Angola; (2) Nunca geriu uma operação bancária de A a Z.

 

E vem, o sr. pinto coelho liderar, ou melhor, chefiar uma operação de abertura de um banco sul-africano – que também não conhecia, a troco de uma boa maquia de USD mensais mais todas as regalias impensáveis para toda a família; uma casa no condomínio mais caro e luxuoso de Angola – Condomínio Atlântico com uma renda mensal astronómica que daria para pagar o salário de muitas empregadas de copa por mês; um BMW X5 só para deslocar-se 500 m por dia de casa para o escritório no Belas Business Park; subscrição em ginásios da moda para a família; empregadas domésticas pagas; DSTV, ZAP e afins; impostos e encargos sociais pagos pelo banco; honorários para a exclusiva escola internacional dos filhos; várias viagens em classe executiva para todas a família para Europa; e outras mordomias principescas, como por exemplo, um bónus de 2 milhões de Rands para importar mobiliário para a casa, mais o bónus anual de 1 milhão de dólares (pelos bons serviços a despedir funcionários da copa).  Bom negócio, sem dúvida, para quem nesta altura definharia por um salário de USD 4.000 em Portugal – se tivesse mérito para isso.


Não compreendemos como é que o Standard Bank não contrata funcionários angolanos para funções de responsabilidade – como se não houvesse quadros nacionais com as qualidades humanas e técnicas de elevado potencial!


Não compreendemos porque é que confrontam a Lei laboral e continuam na impunidade;  Não compreendemos como é possível ter uma liderança, com uma pessoa de competência técnica muito questionável, e sem a mínima sensibilidade para os recursos humanos que gere, e tão pouco respeite a Lei e as instituições angolanas;


Não compreendemos a discrepância salarial gritante entre os funcionários locais e os expatriados, com uma taxa de abstinência muito superiores devido frequentes viagens para obtenção de vistos, etc…


Somos funcionários desta instituição e compreendemos que o sucesso da empresa será o nosso sucesso. Não gostaríamos de fazer parte das estatísticas de mais um fracasso do investimento sul-africano em Angola. É necessário que o Standard Bank reconheça que o desenvolvimento de uma instituição sustentável em Angola, passa necessariamente por centrar-se na valorização do capital humano de Angola, nunca em expatriados, em alguns casos sem valor acrescentado para a empresa.


E por último, é necessário que o sr. pinto coelho e seus gestores próximos, desçam definitivamente do pedestal da arrogância e se dispam do preconceito racial e respeitem as gentes locais do país que os acolheu. E já agora, que se demitam e voltem para onde nunca deveriam ter saído, pois nestas condições não são bem-vindos entre nós. Este é um manifesto de revolta, mas também um apelo desesperado às autoridades competentes para que ponham cobro a esta situação.



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