Luanda - Arroga-se a Embaixada de Angola em Lisboa o desplante de enviar a todas as embaixadas africanas com representação em Lisboa, um documento assinado pela sua embaixadora que constitui uma grave gafe protocolar em termos diplomáticos: dar recados, querer mandar nas decisões das outras embaixadas africanas, tentando dissuadi-las a convidar a jornalista Luzia Moniz para a abertura das comemorações do passado dia 25 de Maio, dia de Africa alegando que faz activismo politico contra o presidente Joao Lourenço. Leia-se o documento oficial abaixo emitido.

Fonte: Club-k.net

Este documento viola a Convenção de Viena relativa a deveres e direitos dos Estados na condução das relações diplomaticas entre si e viola também o principio da promoção da unidade, solidariedade e coesão entre os Estados, previsto no Acto da constituição da União Africana.


Pergunto: estes senhores nao sabem as leis e os protocolos diplomáticos? A embaixadora obedece cegamente ao que chama ordens da " capital" como se a " capital" fosse a capital do mundo( e mesmo se assim fosse....)regendo-se pela lógica interna em que os autoproclamados poderosos estão acima da lei e da constituição e que o válido é a voz dos " chefes" da dita " capital"? Até onde chega a esquizofrenia que pensa poder passar por cima de todos e estar acima de tudo?


A reacção dos paises africanos nao se fez esperar, naturalmente, protestando sobre a in gerência dos seus assuntos internos, marcando a independência das suas decisões e escolhas e a defesa da liberdade de pensamento e acção, condição fundamental da vida humana.


Analisando para além da gravidade do acto em si, o que isto reflecte e muita gente em muitos Paises Africanos e no Mundo pensa, é quão frágil e inconsistente é o poder em Angola. Uma jornalista e activista , defensora da liberdade e da dignidade , pelas quais se tem batido desde há muito, só por si, é razão para pôr a nu, face ao Mundo e à Nação Angolana, que Angola não é um Estado de direito nem uma democracia, e que a sua frágil estrutura se sente ameaçada por uma voz da liberdade. Sai disto o estado angolano muito mal visto, exposto no seu absurdo e saem reforçados os activistas pela liberdade, direitos humanos e dignidade, provando que o poder em Angola tem medo deles. Pessoalmente o papel da Luzia só sai reforçado com isto, para alem da propaganda gratuita. Somos ainda mais fortes do que julgávamos.
Sendo a Luzia Moniz uma jornalista angolana, espero que o sindicato dos jornalistas, a ordem dos jornalistas e os representantes dos órgãos ligados ao jornalismo, venham a terreiro pronunciar-se publicamente em defesa dos princípios e direitos que norteiam a profissão.

Maria João Teles Grilo