Luanda - Resolvi responder o jovem Smith Chicoty para esclarecer este assunto a muita gente. Não é verdade o que paira por aí a volta do passamento físico de António Sebastião Dembo, então Vice-presidente da UNITA.

Fonte: Facebook

No dia 17 de Dezembro de 2001 depois da rendição do Brigadeiro Lulú e do Coronel Calado ambos Oficiais da inteligência militar das extintas Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), a situação da coluna Presidencial complica porque eles passam todo o plano de manobra para as Forças Armadas Angolanas (FAA), daí, o início da longa e amarga marcha onde fomos obrigados a andar 18 horas por dia sem parar, isto é das 04 às 22h. Longa e amarga marcha porque de 515 elementos que compunham a coluna presidencial ficamos apenas 123 até finais de Fevereiro de 2002, onde chegamos mesmo a enterrar 5 à 7 companheiros por dia, por causa de fome, astenia e uma vez a outra por balas inimigas.

 

Antes do acontecimento de 17 de Dezembro de 2001, partiu uma equipa para a vizinha República da Zâmbia no intuito de efectuarem as habituais compras diversas para manutenção da coluna e não só, focando-se sobretudo na aquisição de medicamento, sal e sabão que eram produtos de primeira necessidade nas permutas do quotidiano com a população em troca de alimentação, que uma vez a outra conseguíamos alimentação em troca de força de trabalho. Por sua vez, a mesma não chega a tempo porque não consegue nos interceptar no ponto combinado.

 

Durante este período, as condições de saúde do General Dembo, agravam-se por ter ficado um largo espaço de tempo sem tomar seus medicamentos (insulina), provocando assim uma grande decadência física, não obstante a difícil situação do dia-a-dia.


A equipa ida da Zâmbia consegue chegar até a nós apenas no dia 06 de Janeiro de 2002 recompondo assim a medicação mas, com base a realidade que se vivia naquela época, a recuperação do Engenheiro António Dembo já não foi a mesma por falta de nutrientes adequados na alimentação do dia-a-dia que não passávamos de cogumelos e uma vez a outra de salada de frutas silvestre. Foi assim que no dia 19 de Fevereiro de 2002 na sequência de vários ataques que fomos tendo, a Tia Maria Neves esposa do meu Pai que estava connosco naquela hecatombe, toma um rumo diferente ao do Pai, levando com Ela na bagagem a dose de medicamentos do Pai, um dia depois da minha captura em combate na margem direita do Luoli, afluente do rio Luvuei, na região dos Bundas Município de Lumbalanguimbo, Província do Moxico.

 

Por sua vez, nosso saudoso Pai António Dembo não resistiu diante desta triste realidade tendo perecido no dia 25 de Fevereiro do mesmo ano na margem direita do rio Lamai a pouco menos de 20 km da comuna do Luvuei. Testemunharam os últimos momentos de vida do General António Dembo algumas figuras de destaque como o General Samy, a Senhora Alda Sachiambo, a Senhora Catarina Ululi, o Tenente Coronel Fitó dentre outros. Paz a Sua alma…

 


António Dembo não estava a venda na UNITA pelo que não estamos preocupados com a ocupação de cargos no seio da nossa organização política por sermos descendentes direitos desta grande figura. Estamos firmes na UNITA e nela damos o nosso contributo sem receio nenhum nem impasse de quem quer que seja.

 

Caro jovem Smith Chikoty, na qualidade de investigador Politico de craveira internacional que te intitulas, aconselho-o a passares a fazer investigações com mais dados e testemunhos oculares, sobretudo quando se tratam de relevantes figuras que tanto contribuíram para o mosaico político-militar desta grande pátria que se chama Angola.


Gostaria também deixar claro que a família Dembo está aberta para todos quantos queiram saber mais sobre a mesma e seu ícone António Dembo.

Tenho dito!

Isaias Dembo.

 



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