Lisboa –  O nome do defensor dos direitos humanos angolano Rafael Marques de Morais consta de uma lista de cinco activistas de todo o mundo a quem o instituto norte americano NED- National Endowment for Democracy  decidiu premiar, a margem de uma do evento  “2017 Democracy Award” que acontece no próximo dia 7 de Junho, em Washington. 
 
Fonte: Club-k.net
 
"Esteve preso em 1999 por ter chamado ditador ao presidente JES"
 
Para além do angolano Rafael Marques de Morais, os outros concorrentes são  Denys Bihus, da Ucrânia;  Claudia Escobar da Guatemala, Cynthia Gabriel da Malásia e Khalil Parsa do Afeganistão. Todos eles empenhados na luta contra a corrupção em seus países.
 
 
A NED considera que a corrupção  é um problema penetrante e corrosivo em muitos países que e que  prejudica a confiança pública nas instituições governamentais. Para esta instituição este cancro,  ameaça  a proteção dos direitos humanos e desestabiliza países, regiões e a ordem internacional. 
 
 
A premiação segundo explicações da NED, através do seu website serve para  reconhecer  o trabalho destes   cincos   indivíduos corajosos que lutaram para expor a corrupção nos níveis mais altos, arriscando suas carreiras, sua liberdade e suas próprias vidas.
 
Rafael Marques de Morais
 
Jornalista e defensor dos direitos humanos, tem centrado a sua actividade na investigação e denúncia de actos de corrupção e violações dos direitos humanos, em particular nas zonas diamantíferas.
 
 
Pelo seu trabalho, esteve preso em 1999 por ter chamado ditador ao presidente José Eduardo dos Santos num artigo intitulado O Baton da Ditadura. A justiça angolana notificou-o da acusação que pendia contra si apenas no dia da sua libertação. Recorreu, em instância internacional, da sentença do Tribunal Supremo, que confirmou a sua condenação a seis meses de prisão e ao pagamento de uma indemnização a Dos Santos. Em 2005, o Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas concluiu que o Estado angolano havia violado os seus direitos e liberdades fundamentais, e instou-o a pagar uma indemnização. O regime do Presidente Dos Santos recusou-se a acatar o veredicto da justiça internacional.
 
 
Em 2000, recebeu o Percy Qoboza Award [Prémio Percy Qoboza para a Coragem Exemplar] da Associação Nacional dos Jornalistas Negros dos Estados Unidos da América. Em 2006 venceu o Civil Courage Prize [Prémio de Coragem Civil] da Train Foundation (E.U.A.) pelas suas actividades em prol dos direitos humanos. A Transparência Internacional outorgou-lhe o Integrity Award [Prémio da Integridade], em 2013, pelo seu trabalho de investigação sobre a corrupção institucional em Angola. Por sua vez, em 2014, a UCLA Anderson School of Management atribuiu-lhe um dos mais prestigiados prémios de jornalismo nos Estados Unidos da América, o Gerald Loeb Award, na categoria de reportagem internacional.
 
 
Publicou vários relatórios sobre a violação dos direitos humanos no sector diamantífero em Angola, incluindo Diamantes de Sangue: Corrupção e Tortura em Angola (2011).
 
 
Rafael Marques de Morais é Mestre em Estudos Africanos pela Universidade de Oxford e é formado em Antropologia e Jornalismo na Goldsmiths, Universidade de Londres. Foi académico convidado do Departamento de Estudos Africanos da Johns Hopkins University (2012) e pesquisador no National Endowment for Democracy (2011), em Washington, D.C., E.U.A. É actualmente membro do conselho directivo do Goree Institute, Senegal.


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