Benguela - O administrador municipal de Benguela, na província de Benguela, Carlos Guardado, admite que funcionários do Governo Provincial integram uma máfia no negócio dos terrenos, que volta a provocar controvérsia devido a conflitos que opõem milhares de cidadãos a um grupo empresarial.

*João Marcos
Fonte: VOA

Ao reagir às ocupações na semana passada no bairro da Graça, onde esteve a Polícia de Intervenção Rápida (PIR), chamada por uma empresa que diz ter perdido 10 hectares, Guardado denunciou uma rede organizada na venda de espaços, já na mira das autoridades.

‘’Nós vamos voltar, com ou sem a Polícia, porque estes terrenos eram lavras dos nossos avós’’, garantem munícipesm que falaram à VOA.

Indiferentes à passagem de agentes com cães e cavalos, o povo promete voltar ao local, ao passo que o administrador municipal adianta que é urgente acabar com o crime organizado na venda de terrenos, que passa pelo desmantelamento de funcionários do Governo de Benguela.

‘’Já temos indícios de alguns, estamos a trabalhar para desmantelar a rede. É um grupo bem organizado, queremos desmantelar a rede. Depois, o cidadão poderá construir sem qualquer problema’’, disse Carlos Guardado,

Dois empresários com interesses na Graça, um deles envolvido nos conflitos de terrenos, prometem financiar a construção de uma esquadra policial no bairro.

Na primeira jornada de campo após ter chegado a Benguela, justamente na altura da tensão, o comandante provincial da Polícia e delegado do Interior, Aristófanes dos Santos, apontou a escassez de infra-estruturas como uma das insuficiências.

‘’Temos cinco esquadras a nível do nosso território, mas para uma segurança aceitável no município de Benguela oito esquadra e 16 postos. Mais do que isso, a necessidade de reforço do efectivo’’, sublinha o comandante.

A Polícia de Intervenção Rápida (PIR) foi chamada ao bairro da Graça, nos arredores da cidade de Benguela, no passado dia 10, devido a um conflito de terras que opõe milhares de cidadãos a um grupo empresarial que projecta a construção de um condomínio de luxo.

Com recurso a cães e cavalos, os agentes policiais pararam o loteamento que vinha sendo efectuado há uma semana, numa intervenção que colidiu com a resistência dos cidadãos, acusados de ocupação ilegal de terrenos.

Numa entrevista à Rádio Benguela, o empresário João Melo, da empresa Bigitex, citada como proprietária, diz que o seu grupo perdeu já 10 dos 40 hectares que adquiriu há mais de cinco anos.

 



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