Lisboa – A decisão do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, em afastar o General Adão Adriano António, do cargo de Vice- Procurador-Geral da República para a Esfera Militar e do cargo de Procurador Militar das Forças Armadas Angolanas foi precipitada com o avolumar de reclamações que punham  em causa o  profissionalismo daquele  magistrado militar mas também a sua conduta no processo do general Antônio José Maria, de quem é muito amigo.

Fonte: Club-k.net

Operadores da justiça tentam salvar "marimbondos"

Adão Adriano António ascendeu a Procurador Geral Adjunto da República para a Esfera Militar, em Junho de 2008 pelas mãos do  antigo patrão da secreta militar José Maria. Era por intermédio de Adão Adriano António, que o antigo chefe da secreta militar usava o aparelho judicial para os seus excessos inclusive na proteção de um subordinado, tenente-general José Filomeno Peres "Filó" citado como o autor moral da operação que resultou no assassinato de Isaías Cassule em 2012.

 

Foi também por via do  procurador Adão António que o regime teria retirado a cédula de advogado de William Tonet acusando-o  de exercício ilegal de advocacia. Há conhecimento de que depois da saída de José Eduardo dos Santos do poder, o procurador militar pediu desculpas a William Tonet, por se ter deixado usar na campanha que visou desacreditar o jornalista e também docente universitário. Porém, já em 2013, o procurador Adão António foi denunciado pela defesa do comissário Joaquim Ribeiro de forjar provas para incriminar o ex-comandante da polícia de Luanda.

 

Nos últimos meses,   surgiram reclamações por parte de funcionários da  Procuradoria Militar de alegadas violações a normais internas por parte do Procurador Adão Adriano António. No plano institucional, a  convivência  com o procurador agravou-se quando deixou de  se comunicar com os seus adjuntos para a esfera militar. O PGR, Fernando Pita Gros terá também se sentido desagrado com a conduta do seu colega.

 

Desde o processo do seu amigo general Zé Maria, o procurador foi denunciado por ter adotado uma postura de favorecimento ao ex-chefe da inteligência militar tendo inclusive realizado diligencias fora de horas. Por sua vez, o general   Zé Maria que deveria ser detido em prisão preventiva, pelos crime de extravio de documentos militares, viu-se beneficiado de uma prisão domiciliar, na sua residência privada, nos arredores da Praia do Bispo, e com direito a sair de casa, no período da manha, para ir fazer exercícios físicos, na marginal de Luanda.

 

No seguimento de contestações internas, o assunto foi levado ao conselho de defesa nacional  que determinou  o seu afastamento e em seu lugar foi nomeado o Tenente-General Filomeno Octávio da Conceição Benedito, que até então exercia o cargo de Procurador Geral-Adjunto da República para a Jurisdição Militar e de Procurador Militar-Adjunto.

 

Desde que decretou o combate contra a corrupção, o Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço tem enfrentado resistências internas por parte de operadores da justiça  que agem em solidariedade a antigos colegas. Já no ano passado, o Juiz Conselheiro Presidente do Tribunal Supremo, Rui Constantino da Cruz Ferreira, e o Juiz Presidente da Câmara dos Crimes Comuns do mesmo tribunal, Joel Leonardo, foram denunciados quando no dia 3 de Outubro daquele ano, tentavam, em vão engendrar a libertação ilegal de José Filomeno dos Santos e seu comparsa Jean-Claude Basto de Morais, que se encontravam em prisão preventiva acusados de terem desviado os dinheiros do Fundo Soberano, e de terem cometido crimes de branqueamento de capitais, incluindo de associação criminosa.

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